Mas o pior que sinto é a extrema solidão de ter perdido os amigos pra essa caixinha de perfis, nada sai incólume desse mundo virtual, são os extremos, a rede é social, mas não discorde, questione, critique o que é postado pq vc será bloqueado. Além disso é sentir que trocamos o contato real, pessoal e intransferível por likes.
Em minhas reflexões percebi como o quebra-cabeças de nossos perfis vão se formando, nem sempre mostrando o que vc pensa que é.
Assim é que se perde no horizonte o amigo que hj se pergunta se é fútil, entre selfies e caras e bocas e muxoxos, não tenho como responder pq vou ter que pensar se na minha caixinha eu também não sou fútil e isso iria doer. Então criamos lá, naquele mundo, laços inseparáveis, muito embora no mundo real nós nem tenhamos nos dado a oportunidade de nos conhecermos novamente.
Ou da garota que conheci desde menina que vai se transformando entre caras e bocas, até virar uma cópia daquela modelo que ela tanto adora.
Da garota de cinco anos que faz pose de moça, mas que só nos é permitido curtir e não questionar o que fazemos com as meninas que não a deixamos livres pra curtir a infância.
E por aí vai, mais caixinhas se formando, dos textões ou textículos que escrevemos, das fotos bizarras ou top.
E se eu disser que não curti seu texto ou seu livro? Não por maldade, mas que há sim contos que eu não curti, há sim crônicas que eu não gostei, há sim filmes que deixaram um lacuna na minha cabeça e no coração.
Mas estaria eu preparada para tais críticas? Ou diria: É só não ler.
Então! Fica sempre o medo da palavra real, que nem sempre é positiva.
E as caixas vão se formando...formando uma caricatura medonha dos poderíamos ser na realidade.
Esse texto não se conclui ou tenta sair da caixa, ele está em andamento do que reflito, leio, vejo todos os dias nesse facebox.
Fica sim a reflexão: O que Dorian Grey e o facebox têm em comum?