sexta-feira, 28 de julho de 2017

O que Dorian Grey e o facebox têm em comum?

Observando o Facebook, percebi o quanto nossas postagens são como caixas que vão formando um rosto, uma cópia do que pensamos ser nós, a cada postagem, comentário ou compartilhamento nós vamos formando um perfil, nem sempre interessante ao final das contas.
Mas o pior que sinto é a extrema solidão de ter perdido os amigos pra essa caixinha de perfis, nada sai incólume desse mundo virtual, são os extremos, a rede é social, mas não discorde, questione, critique o que é postado pq vc será bloqueado. Além disso é sentir que trocamos o contato real, pessoal e intransferível por likes. 
Em minhas reflexões percebi como o quebra-cabeças de nossos perfis vão se formando, nem sempre mostrando o que vc pensa que é.
Assim é que se perde no horizonte o amigo que hj se pergunta se é fútil, entre selfies e caras e bocas e muxoxos, não tenho como responder pq vou ter que pensar se na minha caixinha eu também não sou fútil e isso iria doer. Então criamos lá, naquele mundo, laços inseparáveis, muito embora no mundo real nós nem tenhamos nos dado a oportunidade de nos conhecermos novamente.
Ou da garota que conheci desde menina que vai se transformando entre caras e bocas, até virar uma cópia daquela modelo que ela tanto adora.
Da garota de cinco anos que faz pose de moça, mas que só nos é permitido curtir e não questionar o que fazemos com as meninas que não a deixamos livres pra curtir a infância.
E por aí vai, mais caixinhas se formando, dos textões ou textículos que escrevemos, das fotos bizarras ou top. 
E se eu disser que não curti seu texto ou seu livro? Não por maldade, mas que há sim contos que eu não curti, há sim crônicas que eu não gostei, há sim filmes que deixaram um lacuna na minha cabeça e no coração. 
Mas estaria eu preparada para tais críticas? Ou diria: É só não ler. 
Então! Fica sempre o medo da palavra real, que nem sempre é positiva.
E as caixas vão se formando...formando uma caricatura medonha dos poderíamos ser na realidade.
Esse texto não se conclui ou tenta sair da caixa, ele está em andamento do que reflito, leio, vejo todos os dias nesse facebox.
Fica sim a reflexão: O que Dorian Grey e o facebox têm em comum?

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O pinto quando nasce...

Um cara foi de Natal a Fortaleza com um toque de mensagens que era o gorjear de pássaros.
Nada demais, além de meu particular desconforto quando acordei dum susto pensando estar num viveiro de pássaros.
Mas levando a atitude do camarada que parecia ter extrema satisfação com o espanto das outras pessoas com os seus pintos, para o âmbito da filosofia de boteco ou (agora) de estrada, como queiram. Pareceu-me bem sintomático a satisfação desse mal-amado rapaz em chamar a atenção do gorjear de outros pintos que não o seu, vcs estarão a pensar que   vivo a pensar em pintos, pode ser que sim; mas entre aborrecida e divertida com essa pintarada toda desde Natal, só me restou pensar esse pobre rapaz ou não tem nenhum pinto ou o dele não pintaia é nada.
Mas não fique triste meu apintaiado rapaz, pois se um dia vc passar por meu fbook se reconhecerá nessas pobres palavras e dirá: Ei estão falando do meu Pinto.



sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sobre crônicas, Liliputt e autorias

Acordei pensando no quanto as crônicas exigem de seus autores um comprometimento, uma assinatura, uma responsabilidade autoral, os contos nos dão a liberdade dos personagens, há o escroto, a esquentadinha, o jovem e quem é a voz do autor nesses personagens? É muito mais fácil se disfarçar nos contos, mas nas crônicas não, vc fala de um assunto específico, narra, marca o seu lugar  naquela narrativa.
E por que acordei pensando isso? Porque acordei con vontade de comentar que quando como na Culinária da Van me sinto em Liliput, mas como cliente e que quero voltar lá, não posso simplesmente jogar essa e me eximir dessa fala, preciso dizer que as comidinhas são maravilhosas sim, mas que me impressiona as medidas dos utensílios, vc pede torresmos com farofa crocante salivando, e ao chegar a farofa crocante, de fato muito maravilhosa, ela parece ter vindo numa daquelas vasilhas de casa de boneca e você tem a impressão de que é muito grande para aquelas colherinhas e panelinhas.
No mundo das redes sociais e você como todos quer comentar, compartilhar sua impressão, mas ao marcar alguém ou algo você também se marca e se revela. Imagine, então, a responsabilidade de alguém que faz crônicas e precisa falar da bola da vez: apropriação cultural. Eu mesma já quis escrever duas ou três  vezes sobre esse admirável mundo temerbroso e recuei.   
Você reflete sobre falar e o quê falar numa rede social, daí também desisti do embate de dizermos que ainda somos modernos, porque posso afirmar que nunca fomos tão pós-modernos em que marcamos as pessoas em nossos comentários, expomos o carinha escroto da festa passada no Facebook e ele se reconhece; marcamos aquele restaurante de que gostamos ou não.
E voltando a falar de crônicas e das marcas autorais, penso que daí que vem o uso de pseudônimos na imprensa e em especial nas crônicas, falar todos os dias do cotidiano de uma cidades como seus políticos, boêmios, quitandeiros, padeiros, estradas, ruas, literatos e outros, outros mais temas não é uma tarefa fácil . Com certeza o que eram alvos de crítica e troça não as aceitavam de forma calma e bem-humorada, a vaidade já era a bola da vez e a imprensa nos inflou de vaidades.
Não queremos apenas bater a foto com os amigos para recordação, queremos marcar em lugar maravilhoso estamos e como estamos felizes. O quanto somos maravilhosos e bem-sucedidos.
Somos uma aldeia global e com os outros dividimos o melhor e o pior de nós.

Voltando à ativa

De uns tempos pra cá fico acordada por horas, rolando na cama que nem o Roberto Carlos imaginando textos e textos, mas não quero me expor no...