sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sobre crônicas, Liliputt e autorias

Acordei pensando no quanto as crônicas exigem de seus autores um comprometimento, uma assinatura, uma responsabilidade autoral, os contos nos dão a liberdade dos personagens, há o escroto, a esquentadinha, o jovem e quem é a voz do autor nesses personagens? É muito mais fácil se disfarçar nos contos, mas nas crônicas não, vc fala de um assunto específico, narra, marca o seu lugar  naquela narrativa.
E por que acordei pensando isso? Porque acordei con vontade de comentar que quando como na Culinária da Van me sinto em Liliput, mas como cliente e que quero voltar lá, não posso simplesmente jogar essa e me eximir dessa fala, preciso dizer que as comidinhas são maravilhosas sim, mas que me impressiona as medidas dos utensílios, vc pede torresmos com farofa crocante salivando, e ao chegar a farofa crocante, de fato muito maravilhosa, ela parece ter vindo numa daquelas vasilhas de casa de boneca e você tem a impressão de que é muito grande para aquelas colherinhas e panelinhas.
No mundo das redes sociais e você como todos quer comentar, compartilhar sua impressão, mas ao marcar alguém ou algo você também se marca e se revela. Imagine, então, a responsabilidade de alguém que faz crônicas e precisa falar da bola da vez: apropriação cultural. Eu mesma já quis escrever duas ou três  vezes sobre esse admirável mundo temerbroso e recuei.   
Você reflete sobre falar e o quê falar numa rede social, daí também desisti do embate de dizermos que ainda somos modernos, porque posso afirmar que nunca fomos tão pós-modernos em que marcamos as pessoas em nossos comentários, expomos o carinha escroto da festa passada no Facebook e ele se reconhece; marcamos aquele restaurante de que gostamos ou não.
E voltando a falar de crônicas e das marcas autorais, penso que daí que vem o uso de pseudônimos na imprensa e em especial nas crônicas, falar todos os dias do cotidiano de uma cidades como seus políticos, boêmios, quitandeiros, padeiros, estradas, ruas, literatos e outros, outros mais temas não é uma tarefa fácil . Com certeza o que eram alvos de crítica e troça não as aceitavam de forma calma e bem-humorada, a vaidade já era a bola da vez e a imprensa nos inflou de vaidades.
Não queremos apenas bater a foto com os amigos para recordação, queremos marcar em lugar maravilhoso estamos e como estamos felizes. O quanto somos maravilhosos e bem-sucedidos.
Somos uma aldeia global e com os outros dividimos o melhor e o pior de nós.

Voltando à ativa

De uns tempos pra cá fico acordada por horas, rolando na cama que nem o Roberto Carlos imaginando textos e textos, mas não quero me expor no...