quarta-feira, 25 de maio de 2011

Um causo de amor

UM CAUSO DE AMOR
A TERRA ERA SECA FERRUGINOSA, DIZIA MACABÉIA QUE HAVIA FUGIDO DE LÁ.
NEM SE SABE MAIS O NOME DA TERRA, SERIA “TERRA DOS SEM FIM”? SEI QUE ERA UMA TERRA EM QUE A ÚNICA ÁGUA QUE JORRAVA ERA A AGUARDENTE. OS JOVENS HAVIAM FUGIDO TODOS. QUER DIZER COM EXCEÇÃO DE ZEFINHA, UMA MOIÇOLA SARARÁ QUE ERA PROPRIETÁRIA-HERDEIRA DO ÚNICO ESPAÇO DE LAZER DA COMUNIDADE. UM DAQUELES BARES “CLÁSSICOS” COM UMA SINUCA OU DUAS, UMAS PRATELEIRAS COM COLONIAL E YPIOCA E É CLARO UM BELÍSSIMO BREGA.
NO DIA TAVA TOCANDO: EU VOU TIRAR VC DESSE LUGAR, EU VOU LEVAR VC PRA FICAR COMIGO E NÃO INTERESSA O QUE OS OUTROS VÃO PENSAR.
OS VEI BABÃO TUDO OLHAVAM PRA ZEFINHA, ZEFINHA FICAVA FULA DA VIDA. NEM PENSAVA DIREITO, SO FICAVA FULA. PORRA!
TIÃO TAMBÉM NÃO HAVIA IDO EMBORA, PREGUIÇA DE MUDAR. GOSTAVA DA TERRINHA. PLANTAVA UMAS COISINHAS, COMO ELAS “VINGAVAM”  NINGUÉM SABIA. TIÃO GOSTAVA DE UMA BELA PINGA, E SEMPRE QUE IA À CIDADE DAVA UMA PASSADA NA ZEFINHA.
FOI LÁ. NÃO OLHAVA PRA NADA EM ESPECIAL. SÓ OLHAVA.
CHEGANDO O MEIO-DIA A DEBANDADA ERA GERAL, IAM TDS PRA SUA CASA SE ESCONDER DO SOL ESCALDANTE.
TIÃO FOI FICANDO, TAVA COM PREGUIÇA DE PEGAR A ESTRADA NAQUELE SOLZÃO.
ZEFINHA NÃO VIA A HORA DE FICAR SOZINHA, SENTAR E RELAXAR.
E TIÃO ALI.
ZEFINHA AH, FICAR SOZINHA. JÁ TÃO SOZINHA NESSE MUNDÃO. SAUDADE DE ALGO QUE NÃO SEI. SAUDADE. AI QUE SAUDADE! OLHOU PRA TIÃO.
TIÃO AI QUE PREGUIÇA. VONTADE DE FICAR ALI, PRA SEMPRE. ZEFINHA TÃO BONITINHA. SEMPRE ALI. OLHOU FIXAMENTE PRA ZEFINHA. O SOL DEIXAVA O AMBIENTE ABAFADO, A GARGANTA SECA, AQUELE CALOR. TUDO QUE TIÃO PÔDE DIZER:
- MANHÃ BONITA.
ENTÃO, ALI EM PÉ, POR TRÁS DO BALCÃO, TIÃO E ZEFINHA ENCONTRARAM A FELICIDADE.
ÁURIAS

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Vergonha

É lamentável que alguém que lide com beleza e arte, cometa a estupidez de ser um simpatizante do Hitler. Com certeza não foi por ignorância que o diretor de cinema Von Trier fez tal comentário.

Nicolas Berh

Nicolas Behr, um poeta que a gente quer

           O trabalho de Nicolas Behre sempre me atraiu.Quando , em pleno 2003, tomei conhecimento de alguns de seus trabalhos a partir da Internet. a diagramação de suas poesias muito se aproximam do próprio estilo de se fazer fanzine.  E, sempre que posso apresento o  poeta que não conheço pessoalmente, mas sei que é uma figura maravilhosa e muito acessível. Pois já conversamos pela net.
Uma pessoa assim espírito desprendido e talentoso vale a pena divulgar.
Até porque precisamos fugir a sua poezizinha ingrata,
      Ninguém me ama
      Ninguém me quer
      Ninguém me chama Nicolas Behr
Brincadeira NE Nicolas Behr, olha até rimou! A proposta deste textículo(pequeno texto)o não pretende se ater a dados biográficos, mas convidar aos leitores menos conhecedores da Poesia Brasileira Alternativ(no sentido de liberdade a editoras oficiosas) a conhecer trabalhos inovadores como os de Nicolas Behr.
A partir da diagramação de seus livros,  já somos recepcionados por um contínuo diálogo com o Movimento Antropófago, bem como em suas poesias percebemos a firme intenção de brincar com as palavras e com as imagens
HOSPITAL DA POBRÁS           
Berçário                      
Pai: Nicolas Behr             
Mãe: lápis e papel                 
Nome: Parto do Dia            
Pêso: 16 páginas
Sexo: Biodegradável            
Estatura: 16,5 cm

obs: a criança só come
Parto do dia, julho 79                 

    

Nicolas Berh, o poeta que a gente quer

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Silenciamento das letras

Embora seja da área de história, minha paixão é para a a linguagem este espaço de lutas e conquistas.

Portanto para iniciar este blog, começo com um texto que fala da relação entr escola e linguagem. 

Segundo Glória Pondé estamos inseridos numa intricada rede discursiva que nos permite dialogar com o outro através de inúmeros mecanismos de comunicação. No entanto, sabemos, também, que o ambiente da linguagem é manipulado e, muitas vezes, ao invés de possibilitar o diálogo, a rede discursiva pode vir a promover o silenciamento. Autores como Foucault e Barthes trabalham com as possibilidades de silenciamento na linguagem, Esse objeto em que se inscreve o poder, desde toda a eternidade humana, é a linguagem- ou para ser mais preciso, sua expressão obrigatória: a língua.”(BARTHES: 1978, P. 12)
O processo de silenciamento ocorre, principalmente, em nações com história de dependência cultural e econômica em relação aos centro capitalistas. Pois outras formas de comunicação e leitura do mundo são preteridas em benefício do discurso dominante.Tal realidade se faz observar na escola, em que o discurso dominante tenta passar  uma idéia de homogeneidade  cultural depreciando outras leituras e representações alternativas do mundo.
Isto, na maioria das vezes, impossibilita a inclusão do aluno no mundo da leitura, pois suas leituras estão muito aquém do que a escola projeta para o aluno.
A escola, nesse sentido, não pode deixar de propiciar outras opções de leitura para que o aluno, inserido que está numa cultura de massa onde a televisão seria uma “caverna” de Platão, possa crescer como leitor crítico. “Considerando sujeito como uma construção social e histórica, é preciso recuperar no dominado a crença de que ele tem o poder da palavra.”(PONDÉ: p. 159)
A escola como espaço de discussão e construção da memória coletiva não pode recusar uma obra porque “parece” uma obra de caráter consumista, mas deve buscar elementos de contestação que incentivem ao aluno um gosto pela leitura e um aprofundamento de questões. 
De acordo com Umberto Eco, o estado de ser pós-moderno traz essa característica de ser prazerosa, ao mesmo tempo, que permite romper com o discurso hegemônico. Assim, aspectos como a metalinguagem e a ironia podem ser elementos que demonstrem ao leitor que a linguagem pode ser lúdica ao mesmo tempo que permite, também, levantar questões filosóficas.
Seria talvez uma tentativa de jogar com as palavras atingindo, assim, o discurso hegemônico “...é no interior da própria lingua que a língua deve ser combatida”. Assim justifico a necessidade de projetos de leitura e que estes se fortaleçam na interdisciplinaridade, pois a leitura é a possibilidade de descobrir o mundo.


Voltando à ativa

De uns tempos pra cá fico acordada por horas, rolando na cama que nem o Roberto Carlos imaginando textos e textos, mas não quero me expor no...