quarta-feira, 18 de maio de 2011

Silenciamento das letras

Embora seja da área de história, minha paixão é para a a linguagem este espaço de lutas e conquistas.

Portanto para iniciar este blog, começo com um texto que fala da relação entr escola e linguagem. 

Segundo Glória Pondé estamos inseridos numa intricada rede discursiva que nos permite dialogar com o outro através de inúmeros mecanismos de comunicação. No entanto, sabemos, também, que o ambiente da linguagem é manipulado e, muitas vezes, ao invés de possibilitar o diálogo, a rede discursiva pode vir a promover o silenciamento. Autores como Foucault e Barthes trabalham com as possibilidades de silenciamento na linguagem, Esse objeto em que se inscreve o poder, desde toda a eternidade humana, é a linguagem- ou para ser mais preciso, sua expressão obrigatória: a língua.”(BARTHES: 1978, P. 12)
O processo de silenciamento ocorre, principalmente, em nações com história de dependência cultural e econômica em relação aos centro capitalistas. Pois outras formas de comunicação e leitura do mundo são preteridas em benefício do discurso dominante.Tal realidade se faz observar na escola, em que o discurso dominante tenta passar  uma idéia de homogeneidade  cultural depreciando outras leituras e representações alternativas do mundo.
Isto, na maioria das vezes, impossibilita a inclusão do aluno no mundo da leitura, pois suas leituras estão muito aquém do que a escola projeta para o aluno.
A escola, nesse sentido, não pode deixar de propiciar outras opções de leitura para que o aluno, inserido que está numa cultura de massa onde a televisão seria uma “caverna” de Platão, possa crescer como leitor crítico. “Considerando sujeito como uma construção social e histórica, é preciso recuperar no dominado a crença de que ele tem o poder da palavra.”(PONDÉ: p. 159)
A escola como espaço de discussão e construção da memória coletiva não pode recusar uma obra porque “parece” uma obra de caráter consumista, mas deve buscar elementos de contestação que incentivem ao aluno um gosto pela leitura e um aprofundamento de questões. 
De acordo com Umberto Eco, o estado de ser pós-moderno traz essa característica de ser prazerosa, ao mesmo tempo, que permite romper com o discurso hegemônico. Assim, aspectos como a metalinguagem e a ironia podem ser elementos que demonstrem ao leitor que a linguagem pode ser lúdica ao mesmo tempo que permite, também, levantar questões filosóficas.
Seria talvez uma tentativa de jogar com as palavras atingindo, assim, o discurso hegemônico “...é no interior da própria lingua que a língua deve ser combatida”. Assim justifico a necessidade de projetos de leitura e que estes se fortaleçam na interdisciplinaridade, pois a leitura é a possibilidade de descobrir o mundo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Voltando à ativa

De uns tempos pra cá fico acordada por horas, rolando na cama que nem o Roberto Carlos imaginando textos e textos, mas não quero me expor no...