Ela chegou ao meu consultório e disse abruptamente, dolorosamente:
- Não sofro da vista,mas preciso de um óculos.
- Como? - perguntei distraído e um pouco surpreso.
- Quero óculos, preciso continuar a viver e não consigo!- um gemido de dor saiu de sua garganta.
Continua...
sábado, 22 de março de 2014
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Questões de Vestibular sobre Francis Bacon e Galileu Galilei

Francis Bacon
1)(UEL-2004) “Que ninguém espere um grande progresso nas ciências, especialmente no seu lado prático, até que a filosofia natural seja levada às ciências particulares e as ciências particulares sejam incorporadas à filosofia natural. [...] De fato, desde que as ciências particulares se constituíram e se dispersaram, não mais se alimentaram da filosofia natural, que lhes poderia ter transmitido as fontes e o verdadeiro conhecimento dos movimentos, dos raios, dos sons, da estrutura e do esquematismo dos corpos, das afecções e das percepções intelectuais, o que lhes teria infundido novas forças para novos progressos.” (BACON, Francis. Novum Organum. Trad. de José Aluysio Reis de Andrade. 4.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 48.)
Com base no texto, é correto afirmar que Francis Bacon:
a) Afirma que a única finalidade da filosofia natural é contribuir para o desenvolvimento das ciências particulares.
b) Defende que o que há de mais importante nas ciências particulares é o seu lado prático.
c) Propõe que o progresso da filosofia natural depende de que ela incorpore as ciências particulares.
d) Constata a impossibilidade de progresso no lado prático das ciências particulares.
e) Vincula a possibilidade do progresso nas ciências particulares à dependência destas à filosofia natural.
2) (UEL-2005) “[...] Aristóteles estabelecia antes as conclusões, não consultava devidamente a experiência para estabelecimento de suas resoluções e axiomas. E tendo, ao seu arbítrio, assim decidido, submetia a experiência como a uma escrava para conformá-la às suas opiniões”. (BACON, Francis. Novum
Organum. Trad. de José Aluysio Reis de Andrade. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 33.)
Com base no texto, assinale a alternativa que apresenta corretamente a interpretação que Bacon
fazia da filosofia aristotélica.
a) A filosofia aristotélica estabeleceu a experiência como o fundamento da ciência.
b) Aristóteles consultava a experiência para estabelecer os resultados e axiomas da ciência.
c) Aristóteles afirmava que o conhecimento teórico deveria submeter-se, como um escravo, ao
conhecimento da experiência.
d) Aristóteles desenvolveu uma concepção de filosofia que tem como conseqüência a desvalorização da
experiência.
e) Aristóteles valorizava a experiência, por considerá-la um caminho seguro para superar a opinião e atingir o conhecimento verdadeiro.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Os modernistas de 22
A
Poética Brasileira, desde a emancipação do Brasil de Portugal, tem um de seus
traços a busca de uma identidade nacional. Vários foram os escritores que se
debruçaram sobre a questão em seus projetos estéticos José de Alencar, Gonçalves
Dias, Lima Barreto, Mário de Andrade. Tais escritores construíram, ao longo do
tempo, o que podemos chamar de brasilidade.
Tais projetos estéticos, por vezes, incorreram num
projeto ufanista ou folclórico da terra brasileira. “ Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui
gorjeiam não gorjeiam como lá.”(Gonçalves Dias). No entanto, não podemos
deixar de observar uma trajetória de busca da liberdade criativa da Língua
Portuguesa em solo brasileiro.
A Semana de Arte Moderna foi ponto e projeto
fundamental para tal empreitada, passado um século de independência do Brasil,
os modernistas de 22 fizeram um balanço da emancipação de nossa cultura e
perceberam que ainda estávamos muito dependentes do outro sem constituir uma
cultura brasileira, de fato.
Sem deixar de reconhecer a importância de escritores
como José de Alencar e seu projeto de nacionalidade(é de Mário de Andrade a
frase “José de Alencar, meu irmão”).
Os escritores do Movimento de 22 se colocaram como destruidores de uma Literatura
de “olho no Castilho” e deram condição para aventuras literárias como a prosa
mágica de Guimarães Rosa, a poesia métrica de João Cabral de Melo Neto e a
poesia bem-humorada de Nicolas Behr.
O momento é breve para explanação mais detalhada dos
caminhos seguidos em prosa, poesia, ficção; desde o Movimento de 22 à poesia
marginal da década de 70 e as aventuras literárias da atualidade. Mas, podemos
balizar que o Modernismo libertará a Língua Brasileira dos preciosismos
linguísticos para que a literatura possa embrenhar-se no mundo da linguagem com
total liberdade, degustando de outras culturas, de outros movimentos , sempre
na ideia de temperar a nossa Poética. “Só
a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.”
(Oswald de Andrade)
Nesse degustar de novas culturas é que surge a Poética
brasileira atual, bastante devedora dos
projetos estéticos de Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Desde A Semana de
Arte Moderna, vários foram os grupos que se propuseram a criar uma estética da
Literatura Brasileira: O romance regional de 30, a prosa intimista de 45, o
Concretismo de 56, as vanguardas de 70, a poesia alternativa de hoje. Alguns
desses movimentos se contraporiam como as Vanguardas de 70 e à Geração de 45,
mas o certo é que todos, sorveram da Poética de Mário de Andrade e Oswald de
Andrade, mesmo que indiretamente.
Nos experimentos da linguagem poderíamos dizer que
Mário foi a nossa lua, sombrio e preocupado de ser bem brasil , mas não tão pau-brasil; Oswald é o nosso sol
disposto a criar sem temor aos mitos passados, devorador do outro. Compará-los
não é tarefa fácil, pois comparações, geralmente, são injustas por incorrermos
no erro de apreciar um em depreciação do outro e, também, porque ambos não se
impuseram limites para fazer da arte um movimento de “adesão profunda aos problemas da nossa terra e da nossa história
contemporânea.” (CÂNDIDO: 2001, P. 11)
É traço marcante do Modernismo que o Movimento nunca
tenha se definido como uma escola literária, sendo seu maior traço a própria
liberdade dos escritos. O contexto, portanto, dificulta definições,
conceituações e comparações entre seus maiores expoentes: Mário de Andrade e
Oswald de Andrade. O que se pretende, no presente trabalho, é mais refletir
sobre a decisiva participação dos mesmos para um momento ímpar da Literatura
Brasileira do que propriamente compará-los. “De fato, nenhum outro momento da literatura brasileira é tão vivo sob
este aspecto, nenhum outro reflete com tamanha fidelidade, e ao mesmo tempo com
tanta liberdade criadora, os movimentos da alma nacional.” (Op.Cit., P. 11)
Em seu livro de estréia Paulicéia Desvairada, Mário de
Andrade tenta representar a tensão entre o eu moderno e a cidade moderna em
linguagem nova, o livro quase um evangelho estético do Modernismo nem sempre
foi feliz em sua intenção, mas soube reunir os poetas mais jovens e
entusiasmá-los a tentar renovar a
Poética em língua brasileira,
Inspiração
São Paulo!
Comoção de minha vida
Os meus amores
são flores feitas de original....
Arlequinal!...Traje
de losangos...Cinza e ouro...
Luz e
bruma...Forno e inverno morno...
Elegâncias
sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de
Paris...Arys!
Bofetadas
líricas no Trianon...Algodoal!...
Segundo o João Luiz Tafetá “a passagem de toada a objetividade à subjetividade é perturbada pelo
movimento incessante entre a Paulicéia e o desvairado trovador arlequinal.”(20??:
p. 62) Caracterizado no poema acima.
Paulicéia Desvairada ainda guarda em sua escritura as
dissonâncias entre o eu e a cidade moderna que com a maturação de sua escritura
se equilibrará causando um bonito efeito poético
Quando eu
morrer quero ficar,
Não contem aos
meus inimigos
Sepultado em
minha cidade,
Saudade.
A preocupação pelo nacional, o olhar
observador e preocupado com a urbanização de sua cidade também persiste em sua
obra, vejamos um trecho do poema A
meditação sobre o Tietê(1945)
Novas
ruas abertas e a falta
De
habitações e
Os
mercados?...E a tiradeira de Cristo!...
Tu
és demagogia. A própria vida abstrata tem vergonha
De
ti em tua ambição fumarenta.
Mário de Andrade havia presenciado a esperança da Era
Vargas e a decepção com o Estado Novo, as poesias dele acompanham o processo
histórico, em a poesia supracitada João Luís Tafetá comenta que o mesmo faz
paródia com o discurso dos demagogos, imitando a retórica dos demagogos até
torná-lo ridículo. Ser moderno não é esquecer a tradição, mas usurpá-la, tirar
outros significados de uma mesma linguagem, para Mário “A redundância de significado, compensada pela multiplicação dos
significantes, revela uma inclinação à explicitação progressiva do sentido;...”(TAFETÁ
IN BOSI:20??, p.69) Há em Mário de Andrade a vontade de escrever em linguagem
nova que confronta o eu, ainda em linguagem subjetiva, e a cidade que se quer
moderna.
À guisa de conclusão deixemos que o próprio Mário
argumente em que “o defeito é uma
circunstância de beleza.”(Mário de Andrade, 1924). Já em seu Prefácio Interessantíssimo Mário de
Andrade diz:
Leitor:
Está
fundado o Desvairismo
Ele converte as palavras, para
anunciar um novo momento brasileiro cotidiano, prosaico, multicultural e com o
tempo tais intenções irão se aperfeiçoar permitindo que eu poético da poesia
mário-andradina reuna de forma equilibrada e contida os postulados modernistas
Eu
sou Trezentos
Eu
sou trezentos, sou trezentos
e
cincoenta,
As
sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh
espelhos, ôh pirineus! Ôh caiçaras!
Si
um deus morrer, irei no Piauí
buscar
outro!
(1929)
Poemas
da Amiga
A Jorge de
Lima
A
tarde se deitava nos meus olhos
E
a fuga da hora me entrega abril,
Um
sabor familiar de até logo criava
Um
ar, e não sei por que te percebi.
(1929/1930)
Os poemas supracitados fazem parte
de sua produção do final dos anos 20 e guarda o ar coloquial ao mesmo tempo se
representa num eu lírico expressivo de suas emoções e reflexões.
Já se Mário de Andrade preferiu
viajar pelo Brasil e ser um quase pau-brasil, Oswald de Andrade, por opções
estéticas, seria o próprio devorador do outro numa proposta de uma total
remodelação da Literatura Brasileira. Para tanto, fez-se necessário uma total
convicção de construir um outro momento, daí Oswald ter se destacado nas Letras
brasileiras como um espírito polêmico e inquieto. Daí, também, a comparação que
fiz de ambos como a lua e o sol, Oswald não temeu ir para Paris para conhecer o
Brasil. Uma proposta que Mário achou temerária, Oswald a sorveu consciente de
que não poderíamos ignorar as influências estrangeiras, mas que deveríamos saber
antropofagir, com uma estética do devir brasileiro.
Nessa sua tentativa de um devir
brasileiro, podemos colocar que Oswald assumiria uma posição mais radical do
que Mário de Andrade. Mas, como já dissemos o próprio Movimento de 22 nunca se
colocou como uma proposta estética uma se fragmentando em vários outros
movimentos.
Assim, Oswald de Andrade junto com
Raul Bopp e Antônio Alcântara Machado, fundam o movimento nativista
Pau-Brasil(1924) e posteriormente o Manifesto Antropófago(1928)
Movimento Antropófago
Tupi or not Tupi, that is the question.
Contra
todas as catequeses. E contra
A
mãe dos Gracos.
Haroldo de Campos caracteriza a
poesia de Oswald de Andrade como uma poesia da radicalidade(Prefácio do livro
Pau-Brasil), no sentido em que a raiz é a própria linguagem e ele a transforma
em quase um anti-verso
AMOR
HUMOR
Sem incorrer em comparações
reducionistas, a vontade de eliminar da Língua Brasileira a “eloqüência balofa e roçagante” o levou a
opções estéticas mais radicais que Mário de Andrade e a uma despojada,
sincopada e sintética poesia
A
alegria é a prova dos nove
Ao que podemos identificar como
traço fundamental de sua poesia e influenciaria as Vanguardas de 70 e daria ao
verso atual um quê de casualidade e minimalismo. Um passeio intertextual pela Poética
Brasileira.
Não
fale, amor. Cada palavra, um beijo a menos.
Dalton Trevisan
falta
uma letra na v_da
falta
uma pedra no caminho
CONCLUSÃO
Embora não tenha aqui a intenção de
refutar a crítica de Haroldo de Campos, penso
que a incompreensão e o espanto diante da poesia de Oswald de Andrade
teria sido muito maior se não houvesse no mesmo panorama literário a poesia de
Mário de Andrade.
Ainda pouco compreendido e de
difícil estudo, O Movimento de 22 se propõe a ser um movimento de ruptura,
porém, até na ruptura é necessário um processo introdutório para que o leitor
se leia naquele movimento, é a sensação de estranhamento muito freqüente no
discurso pós-moderno[1]que
impede ao leitor mais desavisado se ler em tais escritos. É certo que a idéia
era acabar com toda “eloqüência balofa e
roçagante,” mas como o próprio Oswald de Andrade coloca coube ao nosso
“poeta futurista” abrir caminhos para que jovens como Manuel Bandeira e para
que o próprio Oswald de Andrade quisesse “Transformar
a palavra em outra coisa que não seja a lógica da própria palavra.”
Desse modo, ambos tiveram papéis
fundamentais para que o leitor contemporâneo possa rir com os mesmos ou
vislumbrar um novo momento para a Poética Brasileira.
Fazenda
O
mandacaru espiou a mijada da moça
Oswald de Andrade
O
Poeta come Amendoim
Noites
pesadas de cheiros e calores amontoados...
Foi
o sol que por todo o Brasil
Andou
marcando de moreno os brasileiros.
Mário de Andrade
[1] É certo
também que a poesia moderna e o
movimento Antropófago se propõe a construir um diálogo em de quebra da
idéia linear da História e da própria escritura. No entanto, não há escrita ex-nihilo, ambos, Mário de Andrade e
Oswald de Andrade procuraram criar uma nova estética artística a partir da
representação que faziam do mundo que os rodeava. Nesse sentido Mário de
Andrade se ateve mais ao Brasil, enquanto Oswald de Andrade soube interagir com
o outro e devorá-lo, já Mário devorou mais a si
mesmo.
domingo, 14 de abril de 2013
Chove lá fora e aqui...
Chove lá fora e aqui...
Estava
chovendo lá fora, uma chuva de verão, inesperada e torrencial. A sala na
penumbra da quase noite tornara-se escura, era seu primeiro dia. Tinha
batalhado tanto para estar ali e agora queria ir embora, mas a chuva não lhe
deixara outra opção a não ser entrar.
-E os
outros?- Perguntara
-Não vieram,
acho que por causa da chuva- Um sorriso amarelo.
-Mas tem
nada não, podemos ser só nós dois, já que você está aqui. Nossa que chuva, você
está tremendo, vou buscar uma toalha.
Assim,
falando aos atropelos, enquanto passava uma toalha por seu corpo, toque quase
sem querer, sobressalto, constrangimento, será que ele sabia, não ele não podia
saber, ninguém sabia, só eu. E o que eu sabia? Eu nada sabia. Só eu todos os
dias, sem saber quem era, o que eu era, sonhos, um deles está ali. Difícil fora
convencer seu pai.
-Mas pai é
na Igreja, aulas de violão, nem na igreja eu posso ir?
- Frescura,
vai estudar! Aprender violão, dá dinheiro? Dá nada!- Assim era meu pai, durão, queria que eu me
formasse, um canudo. Eu sonhava com outras coisas, música, poesia, amor, mas eu
também não me entendia, baboseiras.
-E aí, vamos
começar?-disse ele
Voltara à realidade.
- Vamos para
o salão paroquial, é melhor, ajeitei uns bancos e uma mesinha para a turma! –
Falou em tom amigável, ele era sempre assim brincalhão, amigo, ajudava a todos,
tão jovem, bonito, por que ser padre? Por que não? Todos os padres foram jovens
um dia, foi o que ele respondeu, certa vez.
Foram ao
salão, no cantinho havia uns bancos mais altos, sentei num deles sem ânimo.
Preso a esse compromisso, podia ir embora, por que não? Mas não tinha motivos.
- Vamos aprender primeiro os nomes das cordas, a primeira é mi- dedilhou o violão.
Entregou-me o violão, tentava colocar minhas mãos nas cordas do violão,
tentei seguir suas orientações, mas tudo tão difícil, por que os outros não
estavam ali? Só conseguia sentir o pelo dele enroscado ao meu, meu corpo jovem respondendo
ao seu calor, e se ele notasse? Olhou pra mim, tenso, sem sorriso. O toque de
sua mão enquanto me ajudava com as notas.
- Não faça
assim, não pode ser, não comigo...não posso dizer se é errado, mas não podemos,
só quero ser bom.É pra isso que estou
aqui...foi pra isso...
Se era assim
por que me olhava tão fixamente, por que me dizer isso enquanto estava na minha
frente, por que colocava as mãos em minhas pernas, não percebia como eu estava?
Suas mãos firmes se agarraram a mim, um náufrago, onde lera isso ou talvez nunca lera, eu não queria sair dali, suas mãos continuavam em minhas pernas,
toquei-as, segurei-as, agarrei-me a elas.
- Não quero
também, nunca quis, vou embora.-O corpo
todo se recusava a obedecer, as mãos
fizeram um movimento contrário e encostaram em seu peito, a cabeça trêmula
buscara o equilíbrio recontando-se nele.
- Você sabe
o que está fazendo? O inferno que será sua vida? Todos olharão pra você e não
te entenderão, eu sei disso. – Ainda assim segurou minhas mãos, apertou-as com raiva, mas não só
isso, desejo, tesão.
Não
suportava mais aquilo. Que era isso? Eram homens, feitos pra dominar, pra
controlar, nosso corpo pedia isso, nossa masculinidade. Levantou-se, brusco,
com raiva dele, de si, do mundo. Só
conseguiu estar mais próximo, saber que ele também o queria, estranho sentir seu
pênis duro ao encontro do dele.
- Não sou
bicha- disse-lhe com raiva, lembrando-se do pai.
- Não, não
é.
Corpos colados, línguas unidas, uma luta de homens, fortes, musculosos,
recuos, avanços, as roupas arrancadas, pêlos enroscando-se, os corpos tesos,
verdadeiros atletas olímpicos na arena, magnificamente belos. Amor estranho,
estranho amor, mas ainda amor. Devaneios.
Pindaíba
Après Cellina Muniz
A REVISTA PINDAÍBA, UMA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE, ATREVIDA, METIDA A BESTA E CHEIA DE VONTADE DE POTÊNCIA, GRAÇA E INDIGINAÇÃO, IDEALIZADA, INSPIRADA E VIVENCIADA POR UMA CERTA MARGINÁLIA DA CIDADE DE FORTALEZA, CAPITAL DA TERRA DE IRACEMA, ESPECIALMENTE NO BAIRRO DO BENFICA, COMPLETA 10 ANOS EM SUA TERCEIRA EDIÇÃO. VIVA OS IMPRESSOS QUE DESORDENAM OUTRAS FORMAS DE SER E VIVER ARTE. VIDA LONGA À PINDAÍBA E AOS PINDAIBEIR@S!
quinta-feira, 14 de março de 2013
Oh admirável mundo novo!
Eu dedico esse texto a todos aqueles que recusaram a pílula
vermelha.
Qual não foi a minha
surpresa ao ler nas redes sociais comentários indignados de católicos com a
falta de respeito com o processo de escolha do papa. Fiquei pensando, “eles
teriam razão?” e, depois de uma noite mal-dormida, constatei de que porque você
dá sua opinião acalorada não faz de você
com mais razão do aquele que usa o riso para expressar sua opinião ou até a
descrença. Primeiro haverá sempre uma
forma de ri de si ou dos outros, é fato. Segundo, também está inserido o
respeito à opinião do incrédulo,e terceiro muitos que comentaram sobre o
processo de escolha do papa não se colocaram como evangélicos, espíritas ou
ateus, mas se posicionaram como historiadores, filósofos, educadores, pessoas
críticas e atentas a esse processo. É
claro que preocupa a todos nós, cristãos ou não, a escolha do líder religioso
de uma das três maiores religiões do mundo. Ironias à parte, tipo assim “também
tem uma fumacinha aqui”, as críticas surgiram por uma necessidade histórica de
se pronunciar, por uma curiosidade que acompanha o homem desde que teve um
tempinho para pensar.
Portanto, é natural
que venham críticas sim e de que se procure saber quem é o homem por
trás da tradição, não é certo que devemos vigiar e orar? Para muitos, parece,
só coube orar. Esqueceram de vigiar, de duvidar. Não é certo também que a
bíblia fala em falsos profetas? Quem pode afirmar que um desses falsos profetas
não estejam no seio da Igreja? E quando falo em Igreja me refiro de forma
geral: cristã, islâmica,etc e tal. O certo é que, historicamente, a cúpula das
igrejas sempre tiveram do lado dos mais fortes, não por coincidência de que o
Vaticano se tornou um Estado independente por um obra de um tratado de
Mussolini e quem foi Mussolini na história? Um fascista.
Eu não me preocuparia tanto com as brincadeiras, e sim, como
bom cristão, que devo vigiar e orar, saber quem é esse que irá liderar o
rebanho.
Vocês falam de respeito, sim respeito àquele que vigia,
respeito àquele que discorda, respeito àquele que teme pelo rumo dessa charrete
desgovernada que é a humanidade. Ah, mais a fumacinha saiu guiada pelo Espírito
Santo, é essa tradição,destituída de significados diante dos erros e
atrocidades cometidos por grandes líderes que originam o riso, porque “o riso
também conta a história”, é a voz do bufão que se contrapõe, à ordem, é sábio
também escutar o bufão, o avesso, o nonsense. Pois sendo ele a voz que
eu não quero escutar, pode ser traga alguns questionamentos que eu não me
permiti fazer. Portanto, vamos sim respeitar às diferenças e os diferentes,
inclusive o que duvida.
terça-feira, 12 de março de 2013
desabafos ou crônicas
Eu sempre pensei que meu aniversário de 40 anos seria memorável, mas aí vieram as decepções de si pra si e de si pros outros. Então decidi não levar adiante essa ideia, quem sabe próximo ano? A verdade é que nossos sonhos aos 20 nunca são a mesma coisa aos 40. Ando me perguntando se toda aquela emoção seriam só hormônios, a realidade é que a realidade é mais real(redundância?). Pensamos melhor aos 40 e isso significa lidar melhor com coisas que não suportaríamos ao 20. Não pensava ser chamada de mentirosa de forma tão mentirosa ou perceber tanta fragilidade nas relações, no final não pensei que seria uma grande festa, não como estou agora. Mas estou tranquila, sabe? Incrível pensar que ainda sou feliz, deveria ter desistido, mas me sinto tão completa aos 40, forte e frágil, louco e lúcida e lúdica, e apesar dos dissabores ainda terei muitos anos de vida para comemorar. Sou não sou capaz de compactuar com essa mania da galera de magoar e de si magoar e fingir que tá tudo bem, oh geração paranóica, isso não!!!
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